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Marcelo, despido de preconceitos, em entrevista...

26.05.09

"...ninguém tem que levar com o bigode de outrém"

 

Luis Marcelo Fernandes Afonso, com 30 anos, treinador de Rugby no CDUP, ex-colega de turma do Mister Carlos na tão famosa e formadora de talentos  Escola Secundária Aurélia de Sousa, concedeu-nos uma entrevista e, ao melhor jeito dele, não engoliu sapos.

  

Como foi a tua aparição na ARSQS? Quem foi o teu empresário? 

O meu empresário foi o Carlos. Tendo sido colegas de escola e amigos desde o secundário, fomos mantendo o contacto e há cerca de 3 anos (aproximadamente, acho eu!!!) iniciei com um jogo por semana no “velhinho” Power Soccer ali no Carvalhido. A partir daí não deixei de jogar com aquele que seria o embrião da actual ARSQS. Ainda joguei com personagens como o JC, o “badocha” que só jogava nos cantos do campo, o artista da pêra e bigode que usava as caneleiras por cima das meias, o Indy e outras figuras ímpares do nosso meio futebolístico!

 

 

Quando iniciamos esta nova época e depois de termos deixado a Liga MyIndoor, imaginavas uma época tão positiva para a nossa equipa? 

Na realidade julgo que não esperava tão bons resultados. Apesar de ainda não termos ganho praticamente nada de relevante, temos tido uma época de estreia a todos os títulos notável na Liga Superfutsal e em todas as competições em que temos espalhado o perfume do nosso futsal amadoríssimo. Foi uma transição que me surpreendeu.

 

 

Quais as diferenças que encontras entre as nossas prestações na Liga MyIndoor e na Liga Superfutsal? 

Na Liga Myindoor, julgo que tínhamos chegado a uma certa estagnação, para a qual contribuíram diversos factores, entre os quais posso destacar a fragilidade do plantel em determinadas posições, a inconstância de alguns atletas na altura fundamentais, a inexperiência de todos naquelas andanças e o maior de todos que passou pelo fraco nível competitivo a que estávamos sujeitos. A má organização e péssima escolha de competidores proporcionou um “desligar” gradual da nossa e demais equipas com alguma qualidade e isso foi fundamental para a supracitada estagnação. Em relação à Liga Superfutsal, modificámos o plantel, reforçámo-nos com novos valores, o Mister incutiu um novo padrão de comportamentos mediante objectivos delineados por todos através de um compromisso que, apesar de ser assumido por amadores, se transformou num comprometimento colectivo e que proporcionou uma dedicação e empenho de todos. Esse compromisso quase de honra permite-nos ter um plantel muito homogéneo e equilibrado, sempre presente e voluntarioso. Naturalmente, o nível competitivo aumentou dentro da própria equipa e alastrou para a competição externa também.

 

 

 

Durante algum tempo foste um titular indiscutivel, até ao ponto de existir o mito “Marcelo” no seio da ARSQS. O próprio Mister Carlos receava a organização defensiva da equipa aquando das tuas ausências. Hoje, tens uma concorrência mais forte, que de quando em vez te relega para o banco de suplentes. O que tiras de positivo e negativo nisso? 

Essa sempre foi uma questão pendente no seio da equipa. Passou obviamente pelo que referi acima em relação à falta de alternativas válidas que foram surgindo com o passar do tempo até aos dias de hoje em que tal questão já não se coloca. Sinceramente e porque tenho um espírito competitivo muito forte, posso dizer que essa situação me deixava satisfeito (neste momento estou a ser insultado do piorio!!!) pelo simples facto de todos gostarem de se sentir imprescindíveis. Eu não tenho problemas em assumir tal facto! Por outro lado, a performance da equipa e o seu estado anímico desciam a níveis bastante baixos sempre que por algum motivo não podia jogar e isso deixava-me muito triste. Hoje em dia isso não sucede (e ainda bem) e como qualquer jogador de uma boa equipa, estou sujeito a períodos de “terapia de banco”, mercê quer de abaixamentos de forma da minha parte, quer de melhores performances dos jogadores que comigo competem por um lugar, como é o caso do Bruno Alves. De qualquer forma ODEIO estar de fora e obrigo-me a pôr ainda mais de mim nos jogos e nos treinos. Isso não me impede de ser solidário e de desejar o melhor jogo possível a quem me tira o lugar, porque um verdadeiro competidor é aquele que se sacrifica em função do êxito do grupo em que se insere, quer dentro de campo, quer fora dele. Mas que ODEIO estar de fora e ser substituído, lá isso é verdade e indesmentível!

 

 

Muitos dizem que tu e o Bruno Alves são incompativeis no mesmo cinco. Concordas com essa análise? Porquê? 

Não concordo! Como referi acima, numa equipa com a qualidade que a nossa felizmente tem, e acima de tudo com a versatilidade dos nossos jogadores, esse “mito” não tem razão de ser. Somos dois jogadores “tendencialmente mais defensivos”? Sim, é verdade. Mas no futsal actual e ao nível que nos propomos alcançar, não existe esse conceito. Se por um lado podemos perder alguma criatividade e capacidade de finalização, por outro lado ganhamos mais poder defensivo e mais capacidade física e de combate. Seria o mesmo que dizer que o Paulo e o Turtle não poderiam jogar na mesma equipa. E será que alguém é capaz de dizer tal coisa? Acho que é necessário encarar as questões e dar-lhes resposta de forma consciente e pensada. Uma outra questão que se pode colocar a esse respeito é a de os resultados com os dois em campo em simultâneo serem comprovadores dessa teoria, mas será que poderia ser de outra forma quando não existem rotinas de equipa nesse sentido, tal como já existem com outras combinações como a do exemplo que referi? Julgo que essa é a verdadeira questão. Enquanto assim for, é natural que a performance de ambos em campo em simultâneo não pode ser a mais eficaz… pelo menos de forma regular.

 

 

Acho que é unânime a opinião de que este ano temos um plantel mais completo e com outros valores. Achas que com este plantel tínhamos tido uma prestação diferente nas anteriores competições (Torneio do Sr. Júlio, Liga MyIndoor, …)? 

Essa é uma questão que não posso responder de forma taxativa. Julgo que como qualquer processo de crescimento (neste caso de uma equipa de futsal amador) tivemos que passar por etapas menos felizes e com resultados menos conseguidos como os que tivemos no passado. Dessa forma conseguimos chegar ao ponto em que nos encontramos actualmente e poderemos no futuro alcançar outros patamares acima do actual. Se por um lado é verdade que o plantel era mais fraco, por outro lado é necessário afirmar que as rotinas não seriam (nessa situação hipotética) as mesmas dos dias de hoje e como tal talvez as performances fossem menos conseguidas também. Mas tal como referi, a probabilidade de obtermos melhores resultados seria necessariamente maior.

 

 

 

Qual para ti a melhor contratação desta ultima temporada? E a pior? 

Quanto à pior acho que todos foram claros ao afirmar que terá sido o Diego. Isto apesar de ter estado pouquíssimo tempo no nosso convívio. Mas mesmo assim julgo que não teria sido feliz pela imaturidade competitiva que ainda demonstrava, apesar de ter qualidade. Quanto à melhor, posso dizer que o Turtle se evidenciou de forma inequívoca. Apesar disso, também não tenho problemas em dizer que ainda tem um longo caminho a percorrer, nomeadamente no que diz respeito à sua capacidade mental. O potencial está lá, a performance também, mas a bagagem psicológica que virá com a idade e acima de tudo com a experiência ainda não é a suficiente para termos o melhor do Turtle. Estou convencido que esse ainda está para vir e espero que não de atrase muito! He he he !!! Uma ressalva para um outro jogador que julgo poder vir a desempenhar um papel muito importante no futuro da ARSQS, que é o Sérgio. Para tal, basta que as lesões deixem de o apoquentar, porque senão vai parecer o Mantorras, com a diferença de ser branco, não ganhar uma fortuna e não haver um terceiro anel a gritar o seu nome.

 

 

Sabemos que és uma pessoa extramamente competitiva. Aliás, é opinião geral que para ti tanto faz ser um treino, como um amigável, como um jogo oficial. A tua forma de estar em campo, não se altera. O que te motiva para tal? 

Essa pergunta é fácil de responder. Sempre fui assim. Não me imagino a envolver-me num projecto, seja ele de que natureza for, e não dar tudo o que tenho para dar. Sou extremamente competitivo e não faço distinções entre um treino e um jogo. Para mim ambos são para ganhar e de preferência com “mocada” pelo meio. Não é à toa que sempre fui conhecido pelas “amizades” que fui coleccionando por essas “quadras” do Norte do país!

 

 

Sendo tu um treinador de Raguebi e, transportando os teus conhecimentos (salvo as devidas diferenças), consideras que os treinos que actualmente fazemos são os ideiais? O que mudarias ou acrescentarias? 

Dentro da natureza da nossa equipa, da competição em que estamos inseridos e do momento evolutivo em que a ARSQS se encontra não me parece viável a criação de alterações estruturais nesta fase. Um ou outro pormenor táctico que poderia ser implementado sem que se perdesse a dinâmica do treino (marcação e treino de lances de bola parada, movimentos base de 2x1 e/ou movimentos típicos de utilização do pivot ofensivo) e eventualmente o aumento de alguns índices físicos através de algum trabalho específico. De qualquer forma há que levar em linha de conta (e não me canso de frisar este aspecto!) que somos uma equipa extremamente amadora, depois de termos sido só um grupo de amigos que se juntava para brincar ao futebol. É, como disse, um processo evolutivo e não convém queimar etapas.

 

 

A propósito do Râguebi, achas que o nosso mister com o seu famoso “pontapé banana” teria lugar na tua equipa? 

Indiscutivelmente…. Não! Mas numa qualquer tenda de circo ou programa de diversões aí sim, julgo que poderia ser um sucesso. Além disso ninguém me tira da cabeça que a ideia era chamar a atenção para a crise humanitária no Sri Lanka.

 

 

Tu fazes parte de um núcleo da actual equipa que esteve presente em todas as competições que a ARSQS participou. Como vês toda esta evolução e como achas que será o futuro? 

Acho que esta pergunta foi sendo respondida no que escrevi anteriormente, mas fazendo um breve apanhado julgo ter sido uma evolução consciente, gradual e assente em pilares como a amizade, o respeito e a diferenciação entre o extra-competição e o que se passa assim que entramos em campo. Nesse aspecto a personalidade e temperamento do Carlos ajudaram à progressão altamente positiva deste grupo. No futuro deverá manter-se este mesmo espírito, ao qual terão que se acrescentar calma e ponderadamente um e depois outro degrau para ultrapassar, até se chegar onde julgarmos ser o limite. Isso será um momento bastante longínquo e espero já não sermos nós mas os nossos filhos a lidar com tal facto! He he he!

 

 

Se olharmos para trás, em quase todas as competições que entramos ficamos em segundo lugar. O que nos falta para deixarmos de nos classificar no segundo lugar e passarmos para primeiro? 

Falta ganharmos todos os jogos em que entramos! Falta marcar mais golos que o adversário e outras frases feitas deste género. Agora um pouco mais a sério, acho que passará por uma maior especialização e frequência de treinos e jogos. Isso dar-nos-á a experiência e a bagagem competitiva que nos falta para darmos o passo definitivo rumo às vitórias nos campeonatos e ligas em que nos inserirmos.

 

 

Há semanas atrás foste acusado de vandalismo pelo “Biqueiro nos Dentes”. Sentes-te perseguido por alguma facção pró-bigode? 

Julgo que se trata de um homicídio político! É revoltante que perante tais calúnias e difamações, as entidades responsáveis tenham ficado impávidas e serenas assistindo ao triste desenrolar dos acontecimentos sem tomarem medidas punitivas assertivas e firmes. Espero que a ASAE faça respeitar as medidas já previstas no código da Higiene no artº 5 do decreto-lei 3219536, alínea c), que diz e passo a citar: “… toda e qualquer manifestação a favor do acumular de pilosidades no seu próprio corpo ou no do próximo, bem como a perpetração efectiva de tais actos é punível por lei mediante o enquadramento legal previsto e que envolve limpeza total de pilosidades nos locais devidamente assinalados, quer através de tesoura electrónica, quer através de prisão de ventre domiciliária…”

 

 

 

E por falar nisso, sempre foste contra o visual “anos 80” do bigode! Achas que nos tempos que correm ainda se justifica haver jogadores a usar esse visual? 

Acho que a presença do bigode é sinónimo de terrorismo e descriminação sexual, numa altura em que se fala tanto de paridade e igualdade de direitos entre sexos. Ninguém tem que levar com o bigode de outrem, nem tão pouco ficar tipo gato quando engole uma bola de pêlo por acidente. Julgo ser inclusive, um atentado aos Direitos do Homem.

 

 

Define os teus companheiros numa palavra: 

  • Higuita - Holofote 

  • Rodolfo Marmotinha

  • Zé Gato 22,70

  • Sérgio Mazelas

  • Carlos - Mochilas

  • RicardoEspalha-brasas (de acordo com ortografia anterior ao acordo luso-brasileiro é uma palavra só… Bai vuscare!!!!!!

  • Luis Tallon

  • Deco Lincoln

  • Marto -  Shampôo

  • Mário Tapete

  • Bruno Alves - Dedinhos 

  • Dani Defensor

  • Paulo Quem??

  • Freitas Almôndegas

  • Turtle Daltónico

  • Selas Cerejas (só para variar! Ao fim e ao cabo, também é vermelho!)

     

 Qual o teu 5 ideal? 

  • Higuita

  • Marcelo

  • Deco

  • Paulo

  • Turtle 

 

Como não podia deixar de ser, tens de responder a esta “Blind question” do entrevistado anterior… (Zé Gato): Quais os dois jogadores mais importantes e os dois menos importantes da ARSQS? E o que é que os primeiros têm de fazer para se manterem assim e os segundos têm de fazer para melhorar?” 

Esta é uma pergunta para o barulho, mas como isso comigo não funciona e não gosto muito de respostas politicamente correctas, posso começar por dizer que depende das fases da época. Tem variado e isso é um dos principais motivos pelo qual temos mantido esta “bitola” exibicional. Nesta fase os mais importantes têm sido o Paulo e o Rodolfo. Os menos importantes têm sido o Marto e o Mário pelos motivos óbvios: falta de assiduidade e de trabalho continuado.

 

 

 

Qual a pergunta que gostarias de ver respondida pelo próximo entrevistado? 

Na perspectiva de teres equacionado um futuro abandono, achas que haverá um tempo útil de vida nos membros da actual ARSQS? E o que virá depois?

 

 

Já em tempos tivemos oportunidade de conversar sobre isto…todos sabemos que não se tratando de uma equipa profissional, nem sempre é fácil manter a motivação da equipa para aparecer aos treinos/jogos com a assiduidade que assistimos esta época! A que/quem se deve este nível de compromisso deste grupo? 

Estou com a sensação de me estar sempre a repetir, pá! O compromisso foi criado pela capacidade de reunir consenso e pelo carácter do Mister em primeira instância. Depois, obviamente o restante plantel demonstrou que é um grupo de amigos que se respeitam e acima de tudo respeitam os compromissos assumidos perante os outros. Há um outro factor decisivo que é o da dinâmica de vitórias que temos criado. Sem ela seria muito mais difícil termos treinos e jogos como os que temos vindo a assistir ao longo desta época.

 

 

Este ano fizemos uma série de jogos amigáveis e treinos onde tivemos oportunidade de ver jogar alguns atletas que podiam vir a fazer parte do plantel da próxima época. Houve algum que te tenha agradado em particular? 

Sinceramente, não vi absolutamente ninguém capaz de disputar um lugar com algum elemento da nossa equipa. Vi alguns elementos que reúnem algumas características futebolísticas únicas, como por exemplo o Ângelo Loureiro dos Vai Avante. No entanto julgo que pelo temperamento e personalidade dos nossos jogadores, ele não se enquadraria a preceito. Trata-se não de falta de qualidade técnica/táctica/física, mas sim de ausência de valores partilhados e perfilhados por todos nós, valores esses difíceis de encontrar em qualquer outra equipa.

 

 

Há na nossa estrutura alguma área que aches que poderia ser explorada/melhorada?  

Só estão bem quando virem o “circo a pegar fogo”, seus animais!!!! Quem é que elaborou esta entrevista? Na fase em que nos encontramos neste momento, julgo que seria impossível fazer melhor. No futuro próximo julgo que os passos devem ser dados rumo a um cada vez menor amadorismo, mas sempre através de pequenas conquistas e vitórias alicerçadas em espírito de equipa. 

 

 

Obrigado pela tua disponibilidade.

 

Abraço,

 

B.A.15

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Agradecimento - Troféu Melhor Defesa TCF FFA 2009

26.05.09

Muito obrigado a todos vocês, em especial ao Rodolfo e ao Higuita, por este troféu que significa muito para mim. Posso-vos garantir que o vou tratar como se de um filho se tratasse.

;)

Abraço.

ZG27

 

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