
"...não me imagino a desistir deste projecto..."
Hugo Cunha, cujo nome de guerra é "Deco", cedeu a sua camisola 20 ao seu colega Freitas e assumiu a sua condição de "El Capitan" da ARSQS, envergando agora a camisola 8.
Considerado o melhor jogador da ARSQS em 2007, o nosso capitão acedeu, incondicionalmente, a responder a algumas perguntas.
Esta pergunta talvez seja da “praxe” mas não deixa de ser importante. Como foi o teu percurso na ARSQS?
Tudo começou quando um atleta bem conhecido de todos nós, de nome Rui Manaú, resolveu convidar um promissor atleta que estava sem clube para espalhar magia as 4as a noite, num jogo que era organizado por um tal de Carlos Rêgo (risos). Corria o mês de Setembro de 2005 e os ditos jogos ainda eram realizados no velhinho Powersoccer.
Após alguns jogos fui abordado pelos responsáveis para fazer parte dos quadros e rapidamente fiquei incumbido de tratar da organização de um dos jogos semanais e aí começou a minha desgraça que continua até hoje (risos).
Quem é para ti uma referencia na ARSQS?
Como 1ª grande referência, incontornavelmente, terei de referir a doninha, afinal é o símbolo que trazemos ao peito com tanto orgulho (risos). Quase no mesmo patamar, surge a figura do carismático líder, que carinhosamente é tratado no seio do grupo por "papai" Carlos eheheh.
Julgo ser unânime a escolha do Carlos como referencia e rosto da ARSQS, uma vez que é bastante frequente vê-lo representar diferentes papéis no dia-a-dia da equipa, como Mister, conselheiro, amigo, contabilista, olheiro, árbitro, dirigente, relações publicas e quando é necessário (felizmente são poucas) de jogador.
Consegues retirar AMIGOS da ARSQS?
Mais do que tudo a ARSQS funciona como uma equipa de amigos e acabas por fazer amizades extra futebol com facilidade, como prova disso mesmo os muitos e bons momentos de convívio passados na sede do clube (Barrigas). Se bem que um vasto leque de elementos do grupo já faziam parte do meu rol de amigos e outros foram entrando, caso do entrevistador por exemplo (risos).
Como em qualquer grupo, existem sempre pessoas com quem nos identificamos mais ou menos. Qual é para ti o jogador com quem te identificas mais e o que mais custa ter no mesmo 5?
Antes de mais preferia destacar o colectivo e a grande entreajuda de todos os jogadores, quer dentro quer fora de campo, para que este projecto chegue a bom porto e quiçá a outras metas. Porém, quanto ao jogador que mais me identifico, vou referir o jogador que na minha opinião é o jogador mais completo e uma mais-valia para a equipa, é ele o Paulo Mouro. Não vejo ninguém com quem me sinta menos bem a jogar até porque para fazer parte deste valoroso grupo tem de ser possuidor de grande qualidade.
Sendo este grupo “possuidor de grande qualidade” de jogadores e sendo cada um de nós um “treinador de bancada”, qual seria o 5 ideal da ARSQS para ti?
É sem duvida uma tarefa bastante difícil, pois como tem sido possível ver, vamos usando diferentes equipas e os resultados vão sendo os mesmos, “vira o disco e toca o mesmo” ehehehe. Atrevo-me a dizer que temos duas equipas fortíssimas mas dado os últimos jogos e também devido à conjuntura actual, apontaria para o seguinte 5:
- Higuita
- Bruno Alves
- Deco
- Paulo
- Turtle
Na entrevista do Camarinha, foi “questionada” a tua serenidade enquanto capitão. Consideras-te um jogador temperamental?
”Ferves em pouca água” quando as coisas não te correm de feição?
Ainda bem que foi feita essa pergunta para esclarecer um pouco da minha personalidade e da minha maneira de estar no desporto.
Considero-me uma pessoa com cultura vencedora que dentro do campo dá tudo para que a equipa consiga atingir os seus objectivos que passa por ganhar todos os jogos e claro que pelo facto de ser capitão as minhas reacções estão mais expostas, contudo por ser capitão não muda a minha maneira de ser e o calor e incidências do jogo acabam por tirar a clarividência. Quanto ao temperamento é o reflexo da personalidade de cada um, porque perder penso que ninguém gosta e devido à minha maneira de ser tenho tendência a deixar transparecer o meu descontentamento quando as coisas não nos correm de feição.
Soube que há duas épocas atrás estiveste perto de "assinar" pelos Amigos FC, o que te fez voltar atrás?
Também não estive assim tão perto, a imprensa é que acabou por empolar a situação (risos).
Corria o Verão quente de 2007 quando tive conhecimento de uma proposta para ingressar nos Amigos FC, que desde logo esbarra na cláusula de rescisão que a ARSQS tinha definido no contrato eheheh.
Embora fosse um convite interessante a principal razão para inviabilizar a transferência prendeu-se com o facto de uma grande parte dos meus amigos ficarem a jogar na ARSQS e o sentimento de pertença que já tinha ao grupo. A juntar a tudo isto acrescente-se ainda o projecto ambicioso que a ARSQS resolveu levar a cabo e no qual teria orgulho em participar e ajudar.
Conta lá a famosa história do "passarinho"?
Primeiro importa desvendar a identidade do “passarinho”. A tal ave rara da pelo nome de Paulo Mouro.
Rapidamente a história é contada da seguinte maneira: um dia o dito passarinho encontrou um indivíduo chamado Ivo Manau e de súbito vem à baila a minha possível transferência para os Amigos FC. O “passarito” Paulo menciona as razões acima ditas por mim para a permanência na ARSQS e é quando em jeito de fait-divers o senhor Ivo resolveu expor a conversa, com algumas alterações, no antigo fórum, o que fez correr muita tinta nos diários desportivos (risos). Quero também dizer que esta conversa não ocorreu num estabelecimento nocturno duvidoso mas sim no Jumbo da Maia (risos)

No plano mais desportivo, qual a tua posição preferida no campo?
Embora no futsal não haja posições fixas, claro que há certas posições que me agradam mais e julgo favorecer o meu estilo de jogo.
Isto passando para a quadra, equivale por dizer que me sinto melhor a jogar na posição 3, isto é, apoiar o fixo e funcionando também como transportador de jogo, ao estilo de Lucho Gonzalez (risos).
No ano passado, foi-te atribuído, no Jantar de Gala Anual da ARSQS, o troféu de melhor jogador do ano. O que significou esse prémio para ti? Mereces a renomeação este ano ou quem achas que o deveria ganhar?
Em 1º lugar, gostaria de referir que foi um orgulho e uma honra enorme receber tal distinção. Este prémio acabou por ser o reconhecimento de todo o trabalho e esforço por mim desenvolvido ao longo do ano de 2007, que curiosamente marca a entrada da ARSQS em competições oficiais.
Relativamente a uma nova distinção, pode ser encarada como uma hipótese, contudo há jogadores de enorme valia e que são fortes candidatos a suceder-me. Se me perguntares para quem iria o meu voto muito possivelmente recaíria sobre o Paulo, não só pela qualidade futebolística, mas também pela regularidade evidenciada ao longo da época em curso.
Sentes-te como "empresário" da ARSQS, falo do facto de teres trazido jogadores como o Paulo, Luis, Mário, Freitas, Diego?
Antes fosse, assim vivia à custa deles eheheh. Permite-me só acrescentar mais 2 jogadores: Dani e Rodolfo.
Em relação a serem trazidos por mim deve-se a sermos uma equipa de amigos, logo foi um pouco juntar o útil ao agradável. Para além disso, ainda emprestam qualidade futebolística a equipa. Aproveito para deixar um repto a todos, sigam um pouco este exemplo e tragam um amigo também (risos).
Que pensas do desempenho deles este ano?
Penso que aos olhos de todos as qualidades futebolísticas de cada um deles está comprovada, não havendo qualquer tipo de dúvida quanto a sua valia.
Relativamente a época em curso acho ainda prematuro tecer impressões acerca do seu desempenho individual pois a época ainda vai a meio e poucos jogos foram realizados, porém fica já garantido que numa fase mais adiantada do calendário farei considerações sobre o seu desempenho.
Em que lugar pensas que a ARSQS vai ficar no final da Liga?
Não posso deixar de dizer que dada a nossa posição actual na tabela e devido à qualidade do nosso plantel acredito firmemente que é possível terminarmos a Liga SuperFutsal na 1ª posição, mas numa análise mais fria devo destacar que este é o nosso 1º ano nestas andanças e que há equipas mais experientes com capacidade para rivalizar connosco. De qualquer forma não me abala a confiança se obtivermos um lugar respeitável na classificação, que passa sempre por um dos lugares cimeiros.
O que pensas acontecer no seio da equipa se a ARSQS começar a perder jogos? (três pancadas na madeira)
Antes de mais, quero dizer que perder um jogo pode acontecer, agora uma série de jogos negativos, sinceramente, não acho possível.
Porém, se tal acontecer, tenho a certeza que o nosso grupo está preparado e tem o espírito necessário para rapidamente reverter essa situação. Deste modo, estou convicto que caso esse momento surja, a união do grupo não sairá diminuída, antes pelo contrário, ficará mais forte ainda.

Sei que adoras jogar Basketball, se alguém te sugerisse entrar numa equipa de Basket, tal como acontece actualmente com o Pinilla, desistias do projecto ARSQS? (se a resposta for “não”) O que te faria desistir deste projecto?
Já estavas a contar que respondesse não (risos). De facto, o Basket é uma paixão antiga mas não era motivo que me faria desistir. E respondendo directamente à tua pergunta, neste momento não me imagino a desistir deste projecto que já há algum tempo venho abraçando.
Desde já posso enumerar as razões, que passam por ter sido um dos impulsionadores desta iniciativa, pelas amizades que ao longo deste tempo tive oportunidade de fazer, embora agora exista uma maior carga de seriedade à génese inicial da ARSQS.
“Agora existe uma maior carga de seriedade…”. Sentes que o projecto inicial da ARSQS, que passava única e exclusivamente por jogos entre amigos se está a desmoronar? Se “sim”, achas isso correcto? Quais as medidas, na tua opinião, para poder corrigir isso?
Penso que é importante frisar que a ideia inicial aquando da criação da ARSQS nunca se perdeu. Mas com a participação neste novo projecto (FFA), a dada altura os jogos semanais passaram para um plano secundário, facto que fica a dever-se a uma maior focalização no projecto iniciado e ao interesse que desperta.
Contudo, deve-se referir que os jogos semanais revertem-se de grande importância pois é uma forma de continuar a cultivar o espírito, amizade e convívio assim como “captação” de novos valores para integrarem a equipa da ARSQS.
Aproveitando o facto de ser um dos organizadores, gostava de dizer que continuo a encarar estes jogos com empenho e seriedade de modo a dotá-los de competitividade e qualidade. Para que tal nível se mantenha, a solução passará pelo contributo de todos, por exemplo na angariação de novos jogadores.

Qual a mensagem que deixas para a equipa, enquanto capitão?
Recuperando um pouco daquilo que foi sendo dito ao longo desta entrevista a mensagem que pretendo passar a todo o grupo, assenta na continuidade dos valores que até aqui têm sido seguidos: coesão, união do grupo e a amizade que foi o factor para a criação desta equipa. Tudo isto explica os resultados de sucesso que este projecto tem registado e independentemente dos resultados tenho a certeza que o espírito e a atitude da equipa jamais serão abalados, bem como o gosto de jogar futebol entre amigos. Dado a quadra que se aproxima aproveito desde já para desejar um óptimo Natal e um grande bem haja a todos os elementos Arsquianos.
Desde já agradeço a tua disponibilidade.
Em breve teremos mais entrevistados, que estejam ligados ao projecto ARSQS.
Abraço,
(B.A. 15)